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Concurso Nacional de Leitura 2016/2017 - Inscrições Abertas




Com o intuito de promover a leitura nas escolas, o Plano Regional de Leitura (PRL), à semelhança dos anos anteriores, associa-se ao Plano Nacional de Leitura (PNL) na realização do Concurso Nacional de Leitura 2016/2017.

A participação no concurso está aberta às escolas das redes públicas e privada através da inscrição de alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, qualquer que seja a sua nacionalidade.

As inscrições estão abertas até ao próximo dia 11 de novembro através do endereço http://www.sipnl.planonacionaldeleitura.gov.pt/login.jsp

A Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar

Esta primavera temos mais Escritores na Escola


Este 3.º Período começou bem, na Escola Básica e Secundária Tomás de Borba: logo na primeira semana de aulas, de 6 a 13 de abril, tivemos a Semana das Artes.
Os Poetas: Mena Santos e Carlos Ramos

   A atividade “Escritores na Escola”, desta vez dedicada à Poesia, decorreu na Biblioteca Escolar, na sexta-feira, dia 8 de abril, das 11h35 às 12h45. Para este evento, foram convidados dois jovens poetas: Mena Santos, uma funcionária da nossa escola que desempenha as suas funções no bar e que publicou recentemente o seu primeiro livro de poemas intitulado Disse que te amava e menti; e Carlos Ramos, um aluno da nossa escola a frequentar, no presente ano letivo, o 12º Ano do Curso de Artes, cujo primeiro trabalho poético publicado se intitula Uma Vida Poeticamente Escrita. Ambos os livros já se encontram disponíveis na nossa Biblioteca, graças a gentis ofertas dos respetivos autores.

As obras

   Os alunos das turmas 3 e 4, do 8.º Ano, orientados pela professora Madalena Correia, disponibilizaram-se a participar nesta atividade, recolhendo dados sobre os poetas e elaborando as respetivas biografias, apresentadas durante a atividade, e preparando algumas questões para colocar aos poetas convidados. Também Diana Silva, aluna do Conservatório, se disponibilizou a colaborar neste evento, sob orientação do professor Lázaro Silva, abrindo a sessão com um trecho musical. Estiveram, ainda, presentes as alunas Maria Alice Ricarte e Rita Pereira da turma 2 do 6.º Ano, em representação da Rádio Escolar. 
                                                 









     Foram convidadas a assistir ao evento as turmas 5 dos 11.º e 12.º Anos, acompanhadas pelos respetivos professores. No entanto, apareceram também pessoas que quiseram assistir ao evento a título individual. Todos contribuíram para um ambiente agradável e caloroso, onde se desenvolveu um diálogo, primeiramente preparado, mas depois espontâneo, entre a assistência e poetas convidados, que pensamos ter sido enriquecedor para ambas as partes, e motivador no sentido de conduzir a novas experiências de escrita e, quem sabe, a novas publicações. Tudo em prol da poesia.









A equipa dinamizadora da Biblioteca agradece a todos os presentes.

"Soldadinho (s) de Chumbo"



Nos dias 28, 29 e 30 de outubro decorrerão sessões de Conto Popular Português para alunos do 2.º e 3.º ciclos das escolas Básica Integrada da Praia da Vitória, Básica Integrada de Angra do Heroísmo e Secundária Tomás de Borba.

Denomina-se o projecto "Soldadinho(s) de chumbo", tomando de empréstimo apenas o título de um dos mais emblemáticos contos do pai da literatura infantil, Hans Christian Andersen.

No presente trabalho, o soldadinho indica a criança oprimida, personificada no protagonista cujo conflito é superado normalmente com o amparo protector de um ancião.


Execução do contador de histórias Ricardo Ávila com apoio da Direcção Regional da Cultura dos Açores.


Poema da semana






RECEITA PARA MAIO
Este mês começa no dia das papas grossas, dia de seu nome:
Escalda-se de véspera a farinha peneirada, também o farelo
E nada de modernices para daqui tentar fazer fino pudim.
Os maios limpam as manhãs primaveris, tal como
Nas igrejas o seco elevado aroma das cinzas doiradas
Eis o mês de Pentecostes, as cabeças coroadas
As açucenas, aqui no Ultramar soberanas são chamadas.
De facto, o Espírito que desce neste mês é poliglota
Em todos os sentidos, haja em vista a Poesia.
(...)
Mário Cabral in O Meu Livro de Receitas, 2000




Poema da semana






PRANTO DOS EUROPEUS
À SAÍDA DO FESTIM
 
I
 
Pronta que foi a obra e ficaram os deuses
parados no azul e se abriram os zeros
nós saímos dos ovos e quisemos ser números
para que a cada um chamasse pelo seu nome
a luz que em seus andaimes mais altos nos provoca
com os loucos instrumentos que põe dentro do eterno
 
O anjo do ocidente à entrada do ferro
sorriu e atraiu-nos aos cantos mais escuros
de um lugar abolido pois sempre à criação
angustia o criado    Sombriamente puros
são os deuses insanos a fugir aos seus actos
que depressa abandonam como animais imundos
 
Mas tínhamos a força de uma breve existência
que de nós se escapava como um sonho de gás
e numa concordância sombria de formigas
uma a uma levámos as colunas de uma Europa
chamada pelos confins raivosos dos metais
e onde nos deslumbrou a estrela dos incêndios
demos futuro às cinzas às chamas capitais
velocidade aos venenos miasmas aos países
ao malefício os ímanes que desvairam as águas
e ao zodíaco uma estância de espinhos no aquário
 
As coisas que tocámos cobrimos de feridas
com a estranha violência de as amarmos demais
Terrível é o material grátis da inocência
porque tudo se dava virginalmente a nós
como a um excesso de mãos apenas aprendidas
e pródigos de sermos os maiorais da terra
inspirados por guerras e templos litigantes
como assombros proscritos as cidades cresciam
numa fuga para as nuvens em colunas tiritantes
que seguram o anátema que vai cair dos céus
 
 

Natália Correia in 
O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro


Poema da semana





Meu Portugal em Paris
 
Solitário
por entre a gente eu vi o meu país.
Era um perfil
de sal
e abril.
Era um puro país azul e proletário.
Anónimo passava. E era Portugal
que passava por entre a gente e solitário
nas ruas de Paris.
 
Vi minha pátria derramada
na Gare de Austerlitz.
Eram cestos
e cestos pelo chão. Pedaços
do meu país.
Restos.
Braços.
Minha pátria sem nada
despejada nas ruas de Paris.
 
E o trigo?
E o mar?
Foi a terra que não te quis
ou alguém que roubou as flores de abril?
Solitário por entre a gente caminhei contigo
os olhos longe como o trigo e o mar.
Éramos cem duzentos mil?
E caminhávamos. Braços e mãos para alugar
meu Portugal nas ruas de Paris.
 
Manuel Alegre in 
O Canto e as Armas (1967)



Poema da semana




Parede a parede dentro de mim
Nunca foi tão curto este quarto…
Era a hora do sol morto de um avião a subir
a voar fora de mim.
Cara
parede a parede
nunca foi tão curto este quarto.
Bailava a música sozinha
(nunca a música me soubera a silêncio desesperado).
Parede a parede
nunca foi tão curto este quarto.
Já tempestades arrancaram flores
esta arranquei-a eu dentro de mim
(…o avião galgando espaços…)
Parede a parede
nunca foi tão curto este quarto.
Rui Duarte Rodrigues in Os Meninos Morrem dentro dos Homens
Angra do Heroísmo, 1970

Poema da semana





São Jorge, Pianos de Mar
Ao Eduardo Bettencourt Pinto
 
Do Corvo a Santa Maria…
Fico na ilha de S. Jorge: com laços de luz
nos ouvidos à espera que o moinho
do morro das Velas venha um dia
a moer a memória da distância
e o morro de Lemos seja da altura
da lua!
 
Nas ruínas da casa de Francisco de
Lacerda há-de haver um piano
com cauda de mar
que vá desde a Fragueira à Fajã
de S. João
e passe o seu silêncio através do canal
nas asas dos grilos!...
 
Fico em S. Jorge para ouvir
o mar dar a volta ao silêncio
e cobrir de azul toda a água da noite
e ver o funcho a crescer pelos caminhos!
 
Espero no cais das Velas o regresso
dos pescadores e canto a raiz
das conteiras ao sol da manhã.
Fico em S. Jorge
como um homem antigo cheio
de hábitos modernos. Como um
peixe de sangue quente, coração
e mãos ardentes, capaz
da colheita do milho
e da carícia humana dos poemas!
 
Fico em São Jorge:
- Viajar sem Viajar!
 
 
Carlos Faria (1929-2010) in S. Jorge – Ciclo de Esmeralda


Sirva-se de livros - Plano Regional de Leitura

Desde o mês de novembro e inserido no projeto Sirva-se de livros, encontram-se disponíveis para requisição na Creche/Jardim de Infância da Santa Casa da Misericórdia, em São Carlos, livros da nossa Biblioteca.
Selecionamos títulos apelativos a todas as idades, desde os pequeninos aos funcionários, docentes e encarregados de educação.




Tivemos a ajuda incansável da professora/ enfermeira Ana Marcos que, sempre muito disponível, facilitou o contacto com a entidade e preparou a exposição dos itens na Creche/Jardim de Infância.
O "feedback" não podia ser melhor. Os livros têm circulado e já foi renovado o "stock".
É uma iniciativa a repetir e manter!

Poema da semana




sinais dos tempos

ele é como a nuvem do nascente
que transporta a água
e o vento

não quis revelar a sua face aos
tecnocratas e banqueiros

nunca se sentou na cadeira do papa
nem foi rei ou presidente
de nenhuma nação

não quis habitar em palácios
e templos
edificados pelas mãos dos homens

nem tentou apreciar o incenso
e a fama
das lautas mesas

(era aguardado como um pato
ou animal doméstico)

julgaram que não usasse o chicote
da sua ira para açoitar
os vendilhões
das crenças e direitos humanos

andou por toda a parte e falou manso
e claro
como a água das nascentes

(mas nem os próprios amigos
o entenderam)

nunca vendeu
o corpo e a alma por um prato dourado
de lentilhas.


J. H. Borges Martins in nas barbas de deus
edições salamandra, 1999



Poema da semana





quando o nome se ajustar
ao pensamento
e a esperança for semente
flor e fruto num só dia
quando no estranho país móvel
o néctar
chover como uma sonata e
nenhumas mãos acenarem o adeus
para os navios

intacta e eterna
estarei sempre sentada
no penúltimo degrau
do cais daquela ilha

Madalena Férin, “Litania do eterno e do finito” (Prémio Irene Lisboa 1999) in Prelúdio para o dia perfeito, Edições Salamandra

Poema da semana





NOVAS DA ILHA
 
 
1.
Chegam-me cartas da ilha. Sustenho-as
cavalas frescas dependuradas de guelras abertas
inda agora acabadas de chegar
– do mar da serreta ou do mar das Cinco? –
num barco de S. Mateus que acabou de varar.
 
 
Como posso enganar-me? O carteiro tinha cara de nabiça
e inda pingam pelo bico
a ternura acabada de pescar.
 
 
Retenho nos olhos um instante as postas que darão
de sonho no vinho da notícia e no alho bem pisado da distância.
 
 
Abro-as enfim
mariscando no mar brumoso da saudade. À parte
aparto carinhosas as espinhas ortográficas.
E chupo-as como se acabadas de fritar.
 
 
2.
Vida sanabagana. De que me serve pôr-me a maquinar
se o tempo não mudou anda barbudo as vacas amarradas
os bezerros rolhados a berrar. E o céu sempre cinzento
e o mar. Esp’rança pr’adonde estás? Pra América ou Canadar
Em volta tudo é um paredão de mar.
 
 
O coração fica-me num bolo de massa sovada
mal cozida e embolada.
 
 
E sinto a alma abatumada.
 
 
 
Marcolino Candeias in Na Distância deste Tempo