Poema da semana




sinais dos tempos

ele é como a nuvem do nascente
que transporta a água
e o vento

não quis revelar a sua face aos
tecnocratas e banqueiros

nunca se sentou na cadeira do papa
nem foi rei ou presidente
de nenhuma nação

não quis habitar em palácios
e templos
edificados pelas mãos dos homens

nem tentou apreciar o incenso
e a fama
das lautas mesas

(era aguardado como um pato
ou animal doméstico)

julgaram que não usasse o chicote
da sua ira para açoitar
os vendilhões
das crenças e direitos humanos

andou por toda a parte e falou manso
e claro
como a água das nascentes

(mas nem os próprios amigos
o entenderam)

nunca vendeu
o corpo e a alma por um prato dourado
de lentilhas.


J. H. Borges Martins in nas barbas de deus
edições salamandra, 1999



Sugestão da semana!



"O Lobo Culto"



Explorando a conotação do “lobo mau” no universo da literatura para a infância, o autor de Um lobo culto, Pascal Biet, constrói uma narrativa onde a fome de leitura e de livros parece sobrepor-se à natureza carnívora e predadora deste animal. Deste modo, assistimos a uma narrativa onde são narradas as diferentes etapas de formação do leitor, desde a alfabetização à compreensão leitora capaz de proporcionar prazer e fruição. O lobo, motivado por vários animais que também surgem como leitores compulsivos, transforma-se, paulatinamente, num exímio contador/leitor de histórias, ganhando o respeito e admiração dos seus novos amigos, com os quais compartilha o prazer da leitura e as viagens fantásticas que ela proporciona. As ilustrações recriam com expressividade e humor os momentos cruciais da acção, apostando na promoção dos livros e da leitura junto das crianças.

Ana Margarida Ramos in CASA DA LEITURA


     










                      
                                  

Poema da semana





quando o nome se ajustar
ao pensamento
e a esperança for semente
flor e fruto num só dia
quando no estranho país móvel
o néctar
chover como uma sonata e
nenhumas mãos acenarem o adeus
para os navios

intacta e eterna
estarei sempre sentada
no penúltimo degrau
do cais daquela ilha

Madalena Férin, “Litania do eterno e do finito” (Prémio Irene Lisboa 1999) in Prelúdio para o dia perfeito, Edições Salamandra

Vídeo da semana!


"Papá, por favor, apanha-me a Lua"


"Papá, por favor, apanha-me a Lua" é um  livro tão bonito, quanto peculiar, da criação de Eric Carle, não serão as ilustrações a acompanhar o texto, mas o texto a pontuar ao de leve as belíssimas ilustrações, elaboradas sob a técnica da colagem, e que vão, quase por si só, narrando a história. Aliás o texto, sempre muito curto, reduzido ao essencial em cada página, é disposto de forma a não colidir, graficamente, com as imagens grandiosas, que ultrapassam por vezes a página dupla, para se desdobrarem, literalmente, em formatos maiores sugeridos pela dinâmica da própria história.
A partir da formulação deste desejo tudo vale na relação entre real e imaginário.
Temos a história dos desejos que lhe corre nas entrelinhas, a história do pai-herói que alcança, enfim, a lua. 
 

 Título disponível na nossa biblioteca.


                                                                    Versão original.

Poema da semana





NOVAS DA ILHA
 
 
1.
Chegam-me cartas da ilha. Sustenho-as
cavalas frescas dependuradas de guelras abertas
inda agora acabadas de chegar
– do mar da serreta ou do mar das Cinco? –
num barco de S. Mateus que acabou de varar.
 
 
Como posso enganar-me? O carteiro tinha cara de nabiça
e inda pingam pelo bico
a ternura acabada de pescar.
 
 
Retenho nos olhos um instante as postas que darão
de sonho no vinho da notícia e no alho bem pisado da distância.
 
 
Abro-as enfim
mariscando no mar brumoso da saudade. À parte
aparto carinhosas as espinhas ortográficas.
E chupo-as como se acabadas de fritar.
 
 
2.
Vida sanabagana. De que me serve pôr-me a maquinar
se o tempo não mudou anda barbudo as vacas amarradas
os bezerros rolhados a berrar. E o céu sempre cinzento
e o mar. Esp’rança pr’adonde estás? Pra América ou Canadar
Em volta tudo é um paredão de mar.
 
 
O coração fica-me num bolo de massa sovada
mal cozida e embolada.
 
 
E sinto a alma abatumada.
 
 
 
Marcolino Candeias in Na Distância deste Tempo


Sugestão da semana!



Cata Livros

Cata livros é o novo projeto desenvolvido pela Fundação Gulbenkian/Casa da Leitura que utiliza a Internet para aproximar os jovens leitores de um conjunto de títulos essenciais da literatura para infância e juventude, com destaque para a produção nacional, assentando no carácter lúdico e interactivo das narrativas e desafios propostos. 
Os livros abordados são escolhidos segundo critérios de qualidade literária e estética, mas também de representatividade histórica e estilística, sem descurar a atenção ao texto e ao grafismo.
O CATA LIVROS permite também aos mediadores (bibliotecários, professores, educadores, etc.), bem como ao mais generalista dos públicos (pais e jornalistas), por um lado, aceder, através de um conjunto diversificado de recursos, aos livros que alimentam a curiosidade de leitores da mais tenra idade até à adolescência, e, por outro lado, a um conjunto de reflexões, projectos e práticas na área da promoção da leitura.


                             www.catalivros.org/





Poema da semana





Emprego e Desemprego do Poeta
 
Deixai que em suas mãos cresça o poema
como o som do avião no céu sem nuvens
ou no surdo verão as manhãs de domingo
Não lhe digais que é mão-de-obra a mais
que o tempo não está para a poesia

Publicar versos em jornais que tiram milhares
talvez até alguns milhões de exemplares
haverá coisa que se lhe compare?
Grandes mulheres como semiramis
públia hortênsia de castro ou vitória colonna
todas aquelas que mais íntimo morreram
não fizeram tanto por se imortalizar

Oh que agradável não é ver um poeta em exercício
chegar mesmo a fazer versos a pedido
versos que ao lê-los o mais arguto crítico em vão procuraria
quem evitasse a guerra maiúsculas-minúsculas melhor
Bem mais do que a harmonia entre os irmãos
o poeta em exercício é como azeite precioso derramado
na cabeça e na barba de aarão

Chorai profissionais da caridade
pelo pobre poeta aposentado
que já nem sabe onde ir buscar os versos
Abandonado pela poesia
oh como são compridos para ele os dias
nem mesmo sabe aonde pôr as mãos
 

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"




Vídeo da semana!



"O Cuquedo"


"O Cuquedo" constitui um exemplo de um álbum narrativo de qualidade que resulta de uma parceria muito relevante entre autor do texto e autor das ilustrações. Dedicado aos alunos da sala do Jardim de Infância do Pico da Urze que nos contaram e revelaram a história. Parabéns e continuação de boas leituras.










Jardim de Infância Tomás de Borba


Recebemos uma visita original dos alunos do Jardim de Infância da Tomás de Borba, sala da Educadora Diana.  "Porquê deitar fora? Mácaras Malucas" foi o livro que serviu de inspiração para a produção das mascarilhas de elefantes. Ficamos felizes quando os nossos livros ganham vida, obrigado aos jovens leitores.










A origem do Mundo e da Vida

Os alunos das turmas 1, 2 e 3 do sétimo ano, em Educação Religiosa Moral e Católica, prepararam uma exposição sobre a Fé e a Ciência e diferentes interpretações sobre a origem do Mundo e da Vida.

Aqui está o resultado:




Vídeo da semana!



"A Lagartinha muito comilona"  
 de Eric Carle


     Publicado, pela primeira vez, em 1969, a história fala de uma lagarta comilona. O livro de Eric Carle  já vendeu 30 milhões de cópias em todo o mundo, o equivalente a uma cópia por minuto desde a sua primeira publicação. O escritor e ilustrador americano tem os seus livros traduzidos em 50 línguas, as suas histórias são uma fonte de inspiração para os jovens leitores.




       





Versão Original




Vitorino Nemésio - Celebração dos 35 anos da sua morte



A convite da equipa dinamizadora da biblioteca, os alunos do décimo primeiro ano da nossa escola assistiram a uma palestra sobre Vitorino Nemésio, escritor, novelista, jornalista, poeta terceirense. Conheceram alguns aspetos da sua vida e obra pela mão do professor Paulo Matos, docente da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade.







"Paulo Matos nasceu no Porto, a 3 de abril de 1975.

Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas - variante de Estudos Portugueses e Franceses pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Durante o curso foi estudante de ERASMUS em Pau, na França.
 Iniciou a sua carreira docente em 1997, lecionando desde 2001 na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade.

Em 2004, defende a sua tese de Mestrado em Cultura e Literatura Portuguesas, que dará origem ao livro O Povo no Imaginário Nemesiano, publicado em 2012.



É formador na área da Didática do Português, estando nos últimos anos ligado à formação sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e sobre o Novo Programa de Português do Ensino Básico."