Poema da semana





Emprego e Desemprego do Poeta
 
Deixai que em suas mãos cresça o poema
como o som do avião no céu sem nuvens
ou no surdo verão as manhãs de domingo
Não lhe digais que é mão-de-obra a mais
que o tempo não está para a poesia

Publicar versos em jornais que tiram milhares
talvez até alguns milhões de exemplares
haverá coisa que se lhe compare?
Grandes mulheres como semiramis
públia hortênsia de castro ou vitória colonna
todas aquelas que mais íntimo morreram
não fizeram tanto por se imortalizar

Oh que agradável não é ver um poeta em exercício
chegar mesmo a fazer versos a pedido
versos que ao lê-los o mais arguto crítico em vão procuraria
quem evitasse a guerra maiúsculas-minúsculas melhor
Bem mais do que a harmonia entre os irmãos
o poeta em exercício é como azeite precioso derramado
na cabeça e na barba de aarão

Chorai profissionais da caridade
pelo pobre poeta aposentado
que já nem sabe onde ir buscar os versos
Abandonado pela poesia
oh como são compridos para ele os dias
nem mesmo sabe aonde pôr as mãos
 

Ruy Belo, in "Aquele Grande Rio Eufrates"




Vídeo da semana!



"O Cuquedo"


"O Cuquedo" constitui um exemplo de um álbum narrativo de qualidade que resulta de uma parceria muito relevante entre autor do texto e autor das ilustrações. Dedicado aos alunos da sala do Jardim de Infância do Pico da Urze que nos contaram e revelaram a história. Parabéns e continuação de boas leituras.










Jardim de Infância Tomás de Borba


Recebemos uma visita original dos alunos do Jardim de Infância da Tomás de Borba, sala da Educadora Diana.  "Porquê deitar fora? Mácaras Malucas" foi o livro que serviu de inspiração para a produção das mascarilhas de elefantes. Ficamos felizes quando os nossos livros ganham vida, obrigado aos jovens leitores.










A origem do Mundo e da Vida

Os alunos das turmas 1, 2 e 3 do sétimo ano, em Educação Religiosa Moral e Católica, prepararam uma exposição sobre a Fé e a Ciência e diferentes interpretações sobre a origem do Mundo e da Vida.

Aqui está o resultado:




Vídeo da semana!



"A Lagartinha muito comilona"  
 de Eric Carle


     Publicado, pela primeira vez, em 1969, a história fala de uma lagarta comilona. O livro de Eric Carle  já vendeu 30 milhões de cópias em todo o mundo, o equivalente a uma cópia por minuto desde a sua primeira publicação. O escritor e ilustrador americano tem os seus livros traduzidos em 50 línguas, as suas histórias são uma fonte de inspiração para os jovens leitores.




       





Versão Original




Vitorino Nemésio - Celebração dos 35 anos da sua morte



A convite da equipa dinamizadora da biblioteca, os alunos do décimo primeiro ano da nossa escola assistiram a uma palestra sobre Vitorino Nemésio, escritor, novelista, jornalista, poeta terceirense. Conheceram alguns aspetos da sua vida e obra pela mão do professor Paulo Matos, docente da Escola Jerónimo Emiliano de Andrade.







"Paulo Matos nasceu no Porto, a 3 de abril de 1975.

Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas - variante de Estudos Portugueses e Franceses pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Durante o curso foi estudante de ERASMUS em Pau, na França.
 Iniciou a sua carreira docente em 1997, lecionando desde 2001 na Escola Secundária Jerónimo Emiliano de Andrade.

Em 2004, defende a sua tese de Mestrado em Cultura e Literatura Portuguesas, que dará origem ao livro O Povo no Imaginário Nemesiano, publicado em 2012.



É formador na área da Didática do Português, estando nos últimos anos ligado à formação sobre o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e sobre o Novo Programa de Português do Ensino Básico."


Feira de trocas


Vamos realizar uma feira de trocas na nossa escola. 

Se tens um livro que já leste, um dvd, um cd ou um jogo que já não precisas, podes trazer para trocar por outro. 


Vais ver que encontras o que precisas!



É já amanhã na videoteca (ao lado da biblioteca) das 9h às 15h.

Aparece e traz um amigo contigo!


O livro




Cuidados a ter com os livros da tua biblioteca!

Espreita! E toma em consideração o conselho!





Poema da semana




ESTÁTUA DA ALAMEDA

hoje, é triste a alameda onde em criança tive uma visão,

está deserta, com isto dizendo

fico sem saber quem mais entristeceu: a alameda ou eu?

a capela em ruínas; o muro de juncos,
também;

e descubro num plátano isolado

vestígios do nome que gravei no desespero de minha mãe;

está deserta a alameda onde em criança o sonho deixei,

que canteiro o preserva, que nome lhe dei?

é a mesma alameda deserta e triste,

eu é que mudei, roubado o ímpeto de marcar árvores,

o demorado hábito em ler as placas de cobre

com versos meio apagados de poetas mortos.

hoje, o céu não é o lápis-lazúli de Nobre,

nem violinos ao gosto de Verlaine;

é véu de viúva o céu,

e até o relógio de sol parece em luto,

chorando o pranto da estátua decepada

onde em menino vi meu rosto: velha a pele, acobreada.

porque regressei à alameda? Antes

os laranjais onde mora a luz sem o desassossego

de ver se algum dos plátanos morreu.

hoje, quem será mais triste: a alameda ou eu?


Ivo Machado, Praia do Corgo, 7 de Outubro de 2003


Vídeo da semana.



"Jaime e as bolotas"

O Jaime plantou uma bolota, mas... nem todas as bolotas chegam a ser árvores. Dedicado a todos os que plantam árvores e sonhos.








           Tìtulo disponível na nossa bilbioteca.

Poema da semana





XXV
 
Uma humidade corrosiva
cinzenta,
quase incolor e gasta
se espalha…
De súbito. Sem odor ou cor…
Pára o som!
E não se esgota neste fio
de silêncio e solidão
aquela humidade longa,
fria
    e corrosiva
de quase incolor podridão.
 
 
Avelina da Silveira in Mas o silêncio fica-me nos lábios, 
Secretaria Regional da Educação e Cultura, Coleção Gaivota n.º 34, 1983
 

Poema da semana




Não sei se sabes
 
Não sei se sabes,
sou do sul.
A minha terra,
rio, rosa e sol
do meu peito,
é a sombra do rosto
de minha mãe
à janela
da memória.
 
Eu brincava com a chuva
nos cabelos revoltos
da manhã.
O clamor dos eucaliptos
tremia no meu sangue
e os passos do vento
perdiam-se no meu andar.
 
A cantar perseguia
o silêncio até adormecer
entre os braços
do crepúsculo.
 
Como lâmpadas
que de súbito se apagam,
os meus olhos perderam
nos regatos
a luz do entardecer.
 
Esta é uma revoada
de folhas na memória,
na janela onde minha mãe
vê o silêncio sentar-se
à porta.
 
Digo-te, do rio
que me despedi não sei
onde o afluente
envolve as palavras
e a memória
do olhar.
 
Eduardo Bettencourt Pinto in Mão Tardia (1981), Col. Gaivota