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Visita Surpresa - EB1/JI Pico da Urze


        No dia 5 de dezembro, a Biblioteca da nossa escola teve uma agradável surpresa: a visita dos alunos da turma UNECA da Escola Básica 1/JI do Pico da Urze e dos respetivos professores. É sempre enriquecedor podermos contactar com pessoas de outras escolas, interagirmos com elas, trocarmos ideias e mostrarmos o que temos e o que fazemos.

         Esperamos ter mais oportunidades de voltar a ver-vos. Feliz Natal para todos e até breve!









Equipa Dinamizadora da Biblioteca

Concurso "Afinal, como é?" - Solução da semana de 28 de novembro a 2 de dezembro.


Ora aqui está a resposta para esta semana:





Segunda-feira será publicada uma nova questão. Fica atento.

Equipa Dinamizadora da Biblioteca.

Concurso: Afinal, como é? - semana de 21 a 25 de novembro


Aqui está outro desafio:


Segunda-feira será publicada uma nova questão. Fica atento.

Equipa Dinamizadora da Biblioteca.

Concurso "Afinal, como é?" - Solução da semana de 14 a 18 de novembro.



Ora aqui está a resposta para esta semana:




Segunda-feira será publicada uma nova questão. Fica atento.

Equipa Dinamizadora da Biblioteca.

Prémios Nobel 2016


            Já foram anunciados os Prémios Nobel de 2016.
            Conheces os premiados?
            Não te esqueças de assistir à cerimónia que se realizará no dia 10 de dezembro.
            Poderás assistir em direto no seguinte link: http://www.nobelprize.org/





  

Concurso Nacional de Leitura 2016/2017 - Inscrições Abertas




Com o intuito de promover a leitura nas escolas, o Plano Regional de Leitura (PRL), à semelhança dos anos anteriores, associa-se ao Plano Nacional de Leitura (PNL) na realização do Concurso Nacional de Leitura 2016/2017.

A participação no concurso está aberta às escolas das redes públicas e privada através da inscrição de alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário, qualquer que seja a sua nacionalidade.

As inscrições estão abertas até ao próximo dia 11 de novembro através do endereço http://www.sipnl.planonacionaldeleitura.gov.pt/login.jsp

A Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar

José Saramago - Prémio Nobel Português de Literatura - 1998

PRÉMIO NOBEL de literatura



José Saramago (1922-2010)


Autobiografia

Nasci numa família de camponeses sem terra, em Azinhaga, uma pequena povoação situada na província do Ribatejo, (…). Meus pais chamavam-se José de Sousa e Maria da Piedade. José de Sousa teria sido também o meu nome se o funcionário do Registo Civil, por sua própria iniciativa, não lhe tivesse acrescentado a alcunha por que a família de meu pai era conhecida na aldeia: Saramago.

Saramago em criança
Fui bom aluno na escola primária: na segunda classe já escrevia sem erros de ortografia, e a terceira e quarta classe foram feitas em um só ano. Transitei depois para o liceu, onde permaneci dois anos, com notas excelentes no primeiro, bastante menos boas no segundo, mas estimado por colegas e professores, ao ponto de ser eleito (tinha então 12 anos…) tesoureiro da associação académica…

Como não tinha livros em casa (livros meus, comprados por mim, ainda que com dinheiro emprestado por um amigo, só os pude ter aos 19 anos), foram os livros escolares de Português, pelo seu carácter “antológico”, que me abriram as portas para a fruição literária: ainda hoje posso recitar poesias aprendidas naquela época distante.


Em consequência da censura exercida pelo Governo português sobre o romance O Evangelho segundo Jesus Cristo (1991), vetando a sua apresentação ao Prémio Literário Europeu sob pretexto de que o livro era ofensivo para os católicos, transferimos, minha mulher e eu, em fevereiro de 1993, a nossa residência para a ilha de Lanzarote, no arquipélago de Canárias. 


Em consequência da atribuição do Prémio Nobel a minha actividade pública viu-se incrementada. Viajei pelos cinco continentes, oferecendo conferências, recebendo graus académicos, participando em reuniões e congressos, tanto de carácter literário como social e político, mas, sobretudo, participei em acções reivindicativas da dignificação dos seres humanos e do cumprimento da Declaração dos Direitos Humanos pela consecução de uma sociedade mais justa, onde a pessoa seja prioridade absoluta, e não o comércio ou as lutas por um poder hegemónico, sempre destrutivas.
  
José Saramago discursando na Academia Sueca (1998)

      Curiosidade: José Saramago esclarece que “(...) saramago é uma planta herbácea espontânea, cujas folhas, naqueles tempos, em épocas de carência, serviam como alimento na cozinha dos pobres”.

Saramagos / Raphanus raphanistrum / Crucífera / Brassicáceas

   

Bibliografia
Romances
Terra do Pecado, 1947
Manual de Pintura e Caligrafia, 1977
Levantado do Chão, 1980
Memorial do Convento, 1982
O Ano da Morte de Ricardo Reis, 1984
A Jangada de Pedra, 1986
História do Cerco de Lisboa, 1989
O Evangelho Segundo Jesus Cristo, 1991
Ensaio Sobre a Cegueira, 1995
Todos os Nomes, 1997
A Caverna, 2000
O Homem Duplicado, 2002
Ensaio Sobre a Lucidez, 2004
As Intermitências da Morte, 2005
A Viagem do Elefante, 2008
Caim, 2009
Clarabóia, 2011
Alabardas, Alabardas, Espingardas, Espingardas, 2014

Crónicas
Deste Mundo e do Outro, 1971
A Bagagem do Viajante, 1973
As Opiniões que o DL Teve, 1974
Os Apontamentos, 1977

Peças teatrais
A Noite, 1979
Que Farei com Este Livro?, 1980
A Segunda Vida de Francisco de Assis, 1987
In Nomine Dei, 1993
Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido, 2005

Contos
Objecto Quase, 1978
Poética dos Cinco Sentidos - O Ouvido, 1979
O Conto da Ilha Desconhecida, 1997

Poesia
Os Poemas Possíveis, 1966
Provavelmente Alegria, 1970
O Ano de 1993, 1975

Diário e Memórias
Cadernos de Lanzarote (I-V), 1994
As Pequenas Memórias, 2006

Infantil
A Maior Flor do Mundo, 2001
O Silêncio da Água, 2011

Viagens
Viagem a Portugal, 1983


A Equipa Dinamizadora da Biblioteca

Egas Moniz - Prémio Nobel Português de Fisiologia ou Medicina - 1949

Prémio Nobel

 



António Egas Moniz


António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (nasceu em Estarreja, Avanca, Vilarinho do Bairro, a 29 de novembro de 1874, falecendo em Lisboa, a 13 de dezembro de 1955) foi um médico, neurologista, investigador, professor, político e escritor português.
Responsável pela criação da leucotomia pré-frontal, foi galardoado, como resultado, com o Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1949, partilhado com Walter Rudolf Hess.

António Egas Moniz foi proposto cinco vezes (1928, 1933, 1937, 1944 e 1949) para o Nobel de Fisiologia ou Medicina, sendo galardoado em 1949. A primeira delas acontece alguns meses depois de ter publicado o primeiro artigo sobre a encefalografia arterial e, subsequentemente, ter feito, no Hospital de Necker, em Paris, uma demonstração da técnica encefalográfica. Este imediatismo não era uma coisa absolutamente ridícula pois, na verdade, «a vontade de Alfred Nobel era precisamente a de galardoar trabalhos desenvolvidos no ano anterior ao da atribuição do Prémio».

A técnica desenvolvida por Egas Moniz, a operação ao cérebro denominada lobotomia, após forte controvérsia deixou de ser praticada na década de 1960. Familiares de pacientes que sofreram aquela intervenção cirúrgica exigiram que fosse anulada a atribuição do Prémio Nobel feita a Egas Moniz.

A Equipa Dinamizadora da Biblioteca

Chegaram as Férias!

A Biblioteca deseja a toda a comunidade escolar umas ótimas férias de verão.

Equipa Dinamizadora da Biblioteca 2015/2016

Equipa Dinamizadora da Biblioteca 2015/2016

Boas Férias!

Resultados dos Concursos da Biblioteca Escolar


            Durante este ano lectivo, decorreram, semanalmente, os concursos “Afinal, como é?” e “Morde a Língua”, que contaram com a participação, regular ou esporádica, de um total de 150 concorrentes.
Estes concursos consistiram na publicação semanal de questões relacionadas com o domínio da língua portuguesa.
Os participantes pertencem a todos os anos letivos, com exceção do 10.º. Os vencedores do concurso “Afinal, como é?” foram Leonor Raimundo, do 5.º 4, e Fernando Veríssimo, do 6.º 3, em ex aequo. Do concurso “Morde a Língua”, os vencedores foram Leonor Raimundo, do 5.º 4, Madalena Santos, do 6.º2, André Neto, do 8.º4, Teresa Melo, do 8.º4 e Tiago Ribeiro, do 12.º1.
A entrega de prémios foi feita na Biblioteca Escolar, no dia 25 de maio de 2016, quarta-feira, pelas onze horas, e contou com a presença de uma das Vice-Presidentes do Conselho Executivo, Professora Hélia Santos.
A Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar agradece a todos os participantes e felicita os vencedores.

Os Prémios

Leonor Raimundo

Fernando Verissímo

Madalena Santos

André Neto

Teresa Melo

Tiago Ribeiro


O novo expositor da Biblioteca

     Neste 3.º Período, a Biblioteca Escolar passou a dispor de um expositor original: uma Burra de Milho, realizada em cana de bambu.
        A ideia foi concebida pela Coordenadora da Biblioteca Escolar, Professora Madalena Correia, tendo a maqueta sido construída pelas Professoras Isabel Fernandes e Vitória Novais, da Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar. A realização esteve a cargo dos Assistentes Operacionais Emanuel Cardoso e Domingos Sousa.
      O novo expositor será utilizado para divulgar os trabalhos dos alunos e foi imediatamente inaugurado para expor as capas dos livros escritos por Mia Couto, na exposição organizada sobre a sua vida e obra, aquando da visita deste autor moçambicano à nossa escola.






A Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar

Storytelling - Hora do conto



  No dia 18 de maio, pelas 13 horas e 30 minutos, na nossa biblioteca escolar, realizou-se mais uma “hora do conto”. A docente Júlia Fernandes (storyteller) contou uma história em língua inglesa, The Tortoise and the Hare, aos alunos da turma B do 3.º ano, acompanhados pela docente titular Filomena Lima, e da turma B do 4.º ano acompanhados pela docente de Inglês, Elisabete Tavares.
  Esta iniciativa teve, também, lugar no dia 24 de maio, pelas 11horas, na EB1/JI Professor Maximino Fernandes Rocha (Terra Chã). A história, The city mouse and the country mouse, foi contada em inglês pela docente Elisabete Tavares aos alunos da turma C do 3º ano, acompanhados pela docente Júlia Fernandes.
  A hora do conto é sempre um momento de grande emoção e criatividade que deleitou quem teve a oportunidade de estar presente nesta iniciativa.

Dia 18/05/2016

Dia 18/05/2016

Dia 24/05/2016



A Equipa dinamizadora da biblioteca

"Vamos Pintar a Poesia"





      Na Biblioteca Escolar, se começámos bem o ano letivo, vamos acabar ainda melhor. Como? Pintando a Poesia!
         É verdade! A partir de segunda-feira, 23 de maio de 2016, poderás apreciar, na Biblioteca da nossa escola, a exposição de trabalhos dos teus colegas que, orientados pelo Professor Francisco Martins, decidiram pintar a Poesia, segundo a técnica do cadavre exquis.
         Quando se juntam duas artes – a Pintura e a Poesia, o resultado só pode ser uma excelente experiência sensorial e intelectual. E é para tirares proveito desta experiência, que os teus colegas quiseram partilhar com toda a comunidade escolar, que te convidamos a visitar-nos.
         Esperamos por ti! Podes também trazer os teus amigos!




Gaivota

 Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.


 Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.


Alexandre O’Neill




Teatro de Boneca

A menina tinha os cabelos louros.
A boneca também.
A menina tinha os olhos castanhos.
Os da boneca eram azuis.
A menina gostava loucamente da boneca.
A boneca ninguém sabia se gostava da menina.
Mas a menina morreu.
A boneca ficou.
Agora também já ninguém sabe se a menina gosta da boneca.




E a boneca não cabe em nenhuma gaveta.
A boneca abre as tampas de todas as malas.
A boneca arromba as portas de todos os armários.
A boneca é maior que a presença de todas as coisas.
A boneca está em toda a parte.
A boneca enche a casa toda.


É preciso esconder a boneca.
É preciso que a boneca desapareça para sempre.
É preciso matar, é preciso enterrar a boneca.


A boneca.
A boneca.


Carlos Queirós




Emblema

Rio de fumo e incontido cio,
barco à deriva, em meio do escuro,
corpo a apodrecer, antes tão macio,
alma tão gentil, sem haver futuro

Ratos nos porões, sexuado rio,
grito ao deus-dará, estupro contra o muro,
brando e doce olhar, dentro tanto frio,
doce caminhar, frágil, não seguro

Tanto bem sonhado, tudo tão vazio,
noiva que sorri, luto prematuro,
planos a fazer, vidas por um fio

sonho a apodrecer, só porque foi puro,
tanto caminhar, onde é só desvio,
tanto sol a arder, tudo tão obscuro

Eugénio Lisboa




O AMOR EM VISITA

Dai-me uma jovem mulher com sua harpa de sombra
e seu arbusto de sangue. Com ela
encantarei a noite.
Dai-me uma folha viva de erva, uma mulher.
Seus ombros beijarei, a pedra pequena
do sorriso de um momento.
Mulher quase incriada, mas com a gravidade
de dois seios, com o peso lúbrico e triste
da boca. Seus ombros beijarei.

Cantar? Longamente cantar,
Uma mulher com quem beber e morrer.
Quando fora se abrir o instinto da noite e uma ave
o atravessar trespassada por um grito marítimo
e o pão for invadido pelas ondas,
seu corpo arderá mansamente sob os meus olhos palpitantes
ele - imagem inacessível e casta de um certo pensamento
de alegria e de impudor.

Seu corpo arderá para mim
sobre um lençol mordido por flores com água.
Ah! em cada mulher existe uma morte silenciosa;
e enquanto o dorso imagina, sob nossos dedos,
os bordões da melodia,
a morte sobe pelos dedos, navega o sangue,
desfaz-se em embriaguez dentro do coração faminto.
- Ó cabra no vento e na urze, mulher nua sob
as mãos, mulher de ventre escarlate onde o sal põe o espírito,
mulher de pés no branco, transportadora
da morte e da alegria.

Dai-me uma mulher tão nova como a resina
e o cheiro da terra.
Com uma flecha em meu flanco, cantarei.

E enquanto manar de minha carne uma videira de sangue,
cantarei seu sorriso ardendo,
suas mamas de pura substância,
a curva quente dos cabelos.
Beberei sua boca, para depois cantar a morte
e a alegria da morte.

Dai-me um torso dobrado pela música, um ligeiro
pescoço de planta,
onde uma chama comece a florir o espírito.
À tona da sua face se moverão as águas,
dentro da sua face estará a pedra da noite.
- Então cantarei a exaltante alegria da morte.

Nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva.

- Porém, tu sempre me incendeias.
Esqueço o arbusto impregnado de silêncio diurno, a noite
imagem pungente
com seu deus esmagado e ascendido.
- Porém, não te esquecem meus corações de sal e de brandura.

Entontece meu hálito com a sombra,
tua boca penetra a minha voz como a espada
se perde no arco.
E quando gela a mãe em sua distância amarga, a lua
estiola, a paisagem regressa ao ventre, o tempo
se desfibra - invento para ti a música, a loucura
e o mar.

Toco o peso da tua vida: a carne que fulge, o sorriso,
a inspiração.
E eu sei que cercaste os pensamentos com mesa e harpa.
Vou para ti com a beleza oculta,
o corpo iluminado pelas luzes longas.
Digo: eu sou a beleza, seu rosto e seu durar. Teus olhos
transfiguram-se, tuas mãos descobrem
a sombra da minha face. Agarro tua cabeça
áspera e luminosa, e digo: ouves, meu amor?, eu sou
aquilo que se espera para as coisas, para o tempo -
eu sou a beleza.
Inteira, tua vida o deseja. Para mim se erguem
teus olhos de longe. Tu própria me duras em minha velada beleza.

Então sento-me à tua mesa. Porque é de ti
que me vem o fogo.
Não há gesto ou verdade onde não dormissem
tua noite e loucura,
não há vindima ou água
em que não estivesses pousando o silêncio criador.
Digo: olha, é o mar e a ilha dos mitos
originais.
Tu dás-me a tua mesa, descerras na vastidão da terra
a carne transcendente. E em ti
principiam o mar e o mundo.

Minha memória perde em sua espuma
o sinal e a vinha.
Plantas, bichos, águas cresceram como religião
sobre a vida - e eu nisso demorei
meu frágil instante. Porém
teu silêncio de fogo e leite repõe
a força maternal, e tudo circula entre teu sopro
e teu amor. As coisas nascem de ti
como as luas nascem dos campos fecundos,
os instantes começam da tua oferenda
como as guitarras tiram seu início da música nocturna.

Mais inocente que as árvores, mais vasta
que a pedra e a morte,
a carne cresce em seu espírito cego e abstracto,
tinge a aurora pobre,
insiste de violência a imobilidade aquática.
E os astros quebram-se em luz sobre
as casas, a cidade arrebata-se,
os bichos erguem seus olhos dementes,
arde a madeira - para que tudo cante
pelo teu poder fechado.
Com minha face cheia de teu espanto e beleza,
eu sei quanto és o íntimo pudor
e a água inicial de outros sentidos.

Começa o tempo onde a mulher começa,
é sua carne que do minuto obscuro e morto
se devolve à luz.
Na morte referve o vinho, e a promessa tinge as pálpebras
com uma imagem.
Espero o tempo com a face espantada junto ao teu peito
de sal e de silêncio, concebo para minha serenidade
uma ideia de pedra e de brancura.
És tu que me aceitas em teu sorriso, que ouves,
que te alimentas de desejos puros.
E une-se ao vento o espírito, rarefaz-se a auréola,
a sombra canta baixo.

Começa o tempo onde a boca se desfaz na lua,
onde a beleza que transportas como um peso árduo
se quebra em glória junto ao meu flanco
martirizado e vivo.
- Para consagração da noite erguerei um violino,
beijarei tuas mãos fecundas, e à madrugada
darei minha voz confundida com a tua.

Oh teoria de instintos, dom de inocência,
taça para beber junto à perturbada intimidade
em que me acolhes.

Começa o tempo na insuportável ternura
com que te adivinho, o tempo onde
a vária dor envolve o barro e a estrela, onde
o encanto liga a ave ao trevo. E em sua medida
ingénua e cara, o que pressente o coração
engasta seu contorno de lume ao longe.
Bom será o tempo, bom será o espírito,
boa será nossa carne presa e morosa.
- Começa o tempo onde se une a vida
à nossa vida breve.

Estás profundamente na pedra e a pedra em mim, ó urna
salina, imagem fechada em sua força e pungência.
E o que se perde de ti, como espírito de música estiolado
em torno das violas, a morte que não beijo,
a erva incendiada que se derrama na íntima noite
- o que se perde de ti, minha voz o renova
num estilo de prata viva.

Quando o fruto empolga um instante a eternidade
inteira, eu estou no fruto como sol
e desfeita pedra, e tu és o silêncio, a cerrada
matriz de sumo e vivo gosto.
- E as aves morrem para nós, os luminosos cálices
das nuvens florescem, a resina tinge
a estrela, o aroma distancia o barro vermelho da manhã.
E estás em mim como a flor na ideia
e o livro no espaço triste.

Se te apreendessem minhas mãos, forma do vento
na cevada pura, de ti viriam cheias
minhas mãos sem nada. Se uma vida dormisses
em minha espuma,
que frescura indecisa ficaria no meu sorriso?
- No entanto és tu que te moverás na matéria
da minha boca, e serás uma árvore
dormindo e acordando onde existe o meu sangue.

Beijar teus olhos será morrer pela esperança.
Ver no aro de fogo de uma entrega
tua carne de vinho roçada pelo espírito de Deus
será criar-te para luz dos meus pulsos e instante
do meu perpétuo instante.
- Eu devo rasgar minha face para que a tua face
se encha de um minuto sobrenatural,
devo murmurar cada coisa do mundo
até que sejas o incêndio da minha voz.

As águas que um dia nasceram onde marcaste o peso
jovem da carne aspiram longamente
a nossa vida. As sombras que rodeiam
o êxtase, os bichos que levam ao fim do instinto
seu bárbaro fulgor, o rosto divino
impresso no lodo, a casa morta, a montanha
inspirada, o mar, os centauros do crepúsculo
- aspiram longamente a nossa vida.

Por isso é que estamos morrendo na boca
um do outro. Por isso é que
nos desfazemos no arco do verão, no pensamento
da brisa, no sorriso, no peixe,
no cubo, no linho, no mosto aberto
- no amor mais terrível do que a vida.

Beijo o degrau e o espaço. O meu desejo traz
o perfume da tua noite.
Murmuro os teus cabelos e o teu ventre, ó mais nua
e branca das mulheres. Correm em mim o lacre
e a cânfora, descubro tuas mãos, ergue-se tua boca
ao círculo de meu ardente pensamento.
Onde está o mar? Aves bêbedas e puras que voam
sobre o teu sorriso imenso.
Em cada espasmo eu morrerei contigo.

E peço ao vento: traz do espaço a luz inocente
das urzes, um silêncio, uma palavra;
traz da montanha um pássaro de resina, uma lua
vermelha.
Oh amados cavalos com flor de giesta nos olhos novos,
casa de madeira do planalto,
rios imaginados,
espadas, danças, superstições, cânticos, coisas
maravilhosas da noite. Ó meu amor,
em cada espasmo eu morrerei contigo.

De meu recente coração a vida inteira sobe,
o povo renasce,
o tempo ganha a alma. Meu desejo devora
a flor do vinho, envolve tuas ancas com uma espuma
de crepúsculos e crateras.

Ó pensada corola de linho, mulher que a fome
encanta pela noite equilibrada, imponderável -
em cada espasmo eu morrerei contigo.

E à alegria diurna descerro as mãos. Perde-se
entre a nuvem e o arbusto o cheiro acre e puro
da tua entrega. Bichos inclinam-se
para dentro do sono, levantam-se rosas respirando
contra o ar. Tua voz canta
o horto e a água - e eu caminho pelas ruas frias com
o lento desejo do teu corpo.
Beijarei em ti a vida enorme, e em cada espasmo
eu morrerei contigo.

Herberto Helder
                             

A Equipa Dinamizadora da Biblioteca Escolar